Os mais e os menos “faladores” na Assembleia Municipal
Escrito por Isidro Bento   
06-Fev-2009

Quase no final do mandato fomos fazer contas

Depois de uma primeira experiência em Fevereiro de 2005 (quase na recta final do anterior mandato autárquico), voltamos, em circunstâncias idênticas, a fazer contas às intervenções “políticas” dos elementos da Assembleia Municipal de Porto de Mós, embora conscientes de que a quantidade muitas vezes não “casa” com a qualidade.
Em análise estiveram as intervenções feitas em cada uma das 18 sessões que ocorreram no período entre 23 de Dezembro de 2005 e 14 de Novembro de 2008.
Pela natureza das suas funções, apenas o presidente da Assembleia “escapou” à nossa contagem.
Semanas depois da polémica acerca das faltas dos deputados na Assembleia da República, procurámos também perceber qual a situação no nosso “parlamento” local, mas cedo percebemos que, de uma forma geral, os nossos deputados são assíduos, embora nem sempre pontuais.

A menos de um ano das eleições autárquicas há três elementos da Assembleia Municipal que, até agora, só usaram o direito de voto para “dizer de sua justiça”. Fora isso, e de acordo com as actas das sessões da Assembleia, nunca ninguém os ouviu pronunciarem-se sobre o que quer que fosse.
Aida Cardoso, deputada municipal pelo PS e os presidentes das Juntas de Freguesia de Alvados e Arrimal (PSD) respectivamente, António Fernando Pardal e Manuel Carvalho, são, para já, as pessoas menos “faladoras”.
Pelo contrário, há quem na Assembleia fale e fale muito. Antonieta Mariano, a única deputada do CDS-PP foi, até agora, quem mais falou. O Portomosense contou 51 intervenções suas. O segundo que mais vezes interveio foi António Pires, do PSD (44). Carlos Venda é o terceiro da lista e o primeiro entre os presidentes de Junta. Até esta data, o autarca de Serro Ventoso já falou, pelo menos, 41 vezes. Segue-se Luís Almeida, do PSD (38) e o primeiro socialista do “ranking informal” elaborado pelo nosso jornal é Vítor Louro, com 35 intervenções feitas.
Entre os 10 mais interventivos estão, ainda, Jorge Vala, do PSD (33), Fernando Amado, do PS (27), Gabriel Vala, presidente da Junta de São João [PSD]  (23), Ana Paula Noivo, presidente da Junta de Mira de Aire [PS] (20) e Carlos Alberto Jorge, do PSD.
Das 36 pessoas que já intervieram nas sessões, 22 tiveram menos de 10 intervenções e metade dessas [22] fizeram-se ouvir, apenas, uma ou duas vezes.
Durante as 18 sessões, O Portomosense contabilizou cinco renúncias ao lugar de elemento da Assembleia Municipal, e nove suspensões (temporárias) de mandato, quase sempre, por um período de 30 dias.
A Assembleia Municipal de Porto de Mós, tem 34 elementos. Actualmente, são 10 do PS, 10 do PSD e um do CDS-PP, aos quais se juntam os 13 presidentes de Junta que ali têm lugar por inerência do cargo.
Apesar da Assembleia ser o órgão por excelência para discussão dos problemas que afectam Porto de Mós e os portomosenses, a participação popular nas sessões é bastante escassa. É rara a sessão em que há mais de meia dúzia de pessoas a assistir e são ainda menos aquelas que intervêm no período que lhe é dedicado. Durante estes três anos só houve 18 pessoas a fazer perguntas ao executivo camarário ou a apresentar os seus problemas, num total de 32 intervenções.

 

 
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