Chegada do Magalhães traz ansiedade às escolas
Escrito por Patrícia C. Santos   
06-Fev-2009

Quase três dezenas de computadores já chegaram, 500 alunos continuam à espera

A Beatriz, a Paloma e a Inês, todas com 8 anos, são alunas da EB1 de Porto de Mós e estão entre as cerca de trezentas crianças do concelho que já receberam o Magalhães, o portátil do programa "E-escolinhas", destinado a crianças do 1.º ciclo. Os primeiros computadores chegaram em Dezembro, no entanto, as entregas começaram a ser mais regulares nas últimas semanas. Jogos, redacção de textos ou navegar na Internet são algumas tarefas que as três alunas mais gostam de fazer no pequeno computador, que recolhe elogios e grande entusiasmo por parte dos alunos da escola.
Mas, se quase 300 crianças já receberam o Magalhães, cerca de 500 ainda estão a aguardar a entrega. No Agrupamento de Escolas de Mira de Aire e Alvados são cerca de 180 inscrições, que ainda estão à espera do primeiro computador. No Agrupamento de Escolas de Porto de Mós quase metade dos Magalhães já está na mão das crianças do 1.º ciclo, no entanto, a forma como estão a decorrer as entregas merece críticas por parte de professores.

Crianças e pais ansiosos
A entrega de 500 mil computadores foi anunciada pelo Primeiro-Ministro, ainda antes de começar o ano lectivo. Só em Janeiro começaram a chegar de forma mais visível a Porto de Mós, mas faseada. À EB1 de Porto de Mós já chegaram quase 100 Magalhães, divididos por cinco entregas. Em todas as turmas há alunos que já receberam, outros continuam à espera, situação que se estende a todas as escolas e que está a provocar grande ansiedade em alunos e pais. "Sempre que chegam computadores eles ficam muito ansiosos e irrequietos", refere Isabel Ferreira, professora da EB1 de Porto de Mós, uma opinião partilhada por várias docentes contactadas pelo nosso jornal. Na EB1 de Arrimal a chegada faseada dos computadores levou a que uma criança tenha ido para casa a chorar, por não ter sido uma das contempladas, relata a professora Fátima Mendonça. Na escola básica dos Telhados Grandes quase todos os alunos já têm Magalhães. Dos oito alunos apenas uma criança ainda não recebeu o computador, que "se conformou" com a situação, refere a professora.
O nervosismo da espera não atinge apenas os mais novos. As perguntas e dúvidas surgem de muitos pais. "As crianças e as famílias lidam muito mal com estas entregas", garante a coordenadora da EB1 de Calvaria de Cima.
Em várias escolas do concelho já se ensaiou a utilização do pequeno portátil na sala de aula, no entanto, o uso regular está adiado, por enquanto. Até todos os alunos da turma terem o próprio computador a maioria das professoras está a optar por não utilizar, ainda que reconheçam as potencialidades pedagógicas que o Magalhães poderá trazer à sala de aula.

Falhas multiplicam-se
Além das críticas à forma como o Magalhães está a chegar às escolas, várias professoras apontam várias falhas ao processo de inscrição. A entrega dos computadores não está a respeitar a antiguidade das inscrições, o que tem levantado alguns protestos dos pais. No concelho há casos de alunos que se inscreveram no início do ano lectivo e que ainda estão à espera do portátil, enquanto alguns pedidos feitos no início deste ano já foram resolvidos. Além disso, existem relatos de pagamentos feitos, que não aparecem no sistema, ou falhas na transmissão de dados entre as várias entidades envolvidas no processo: agrupamentos de escolas, ministério da Educação ou operadoras de telecomunicações.

 

 
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