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Salgueiro pede apoio ao governo
Escrito por Luísa Patrício   
06-Fev-2009

Crise da cerâmica abala emprego no concelho


Promete ser “um ano muito complicado”. “Vive-se uma situação alarmante no concelho, com muitas pessoas em risco de perderem emprego.” É o cenário negro traçado por João Salgueiro, presidente de câmara de Porto de Mós.
A preocupação com a crise já levou ao pedido de uma audiência, com carácter urgente, ao Governo. Espera-se por uma resposta. O autarca pede, não tanto dinheiro, mas algumas medidas que beneficiem e aliviem os empresários de cerâmica.
A região discutiu os problemas do sector, no passado dia 27 de Janeiro, em Alcobaça. A autarquia alcobacense promoveu um dia dedicado à cerâmica, onde estiveram presentes alguns autarcas dos concelhos mais afectados pela crise, empresários e representantes dos trabalhadores. O encontro serviu para elaborar um plano estratégico, entre todos os agentes, em defesa das empresas. Todos concluíram que, se o Governo não agir entretanto, o desemprego vai assolar a região. João Salgueiro, um dos presentes, tem consciência do problema e está agir.
O presidente de Câmara esteve, há cerca de um mês, reunido com o Governo para alertar para os problemas do sector. Batalha e Alcobaça juntaram-se à luta. João Salgueiro afirma que “a cerâmica é extremamente importante para o concelho, porque estão envolvidas famílias inteiras e muitas pessoas já com idade avançada”. Além disso, destaca que o sector da cerâmica é muito importante para o tecido empresarial do concelho. “Não se pode deixar morrer a cerâmica. O concelho e os portomosenses precisam que ela continue”, diz.
João Salgueiro avança com as propostas que faz ao Governo. O autarca realça que é necessário “um seguro para as encomendas”, porque, muitas vezes, “um comprador estrangeiro decide adiar sucessivamente as encomendas que fez”, o que faz com que a fábrica não possa contar com verbas que estavam previstas. Outra proposta passa por “reduzir os “spreads” bancários, que “estão muito altos” e, finalmente, “diminuir o número de trabalhadores no quadro da empresa”. “Não faz sentido uma empresa estar com dificuldades por manter cem trabalhadores, quando se tornaria rentável tendo apenas cinquenta”, refere. Salgueiro afirma, sobre este último ponto, as empresas entrariam numa negociação com os trabalhadores, estabelecendo uma ponte com a Segurança Social e os Sindicatos.
João Salgueiro adiantou ao nosso jornal que a empresa de Moitalina, “Vale do Sol”, será aquela que se encontra em pior situação no concelho. “Não sei mesmo se vai conseguir continuar a laborar”, revela. “É uma situação preocupante, porque emprega muita gente. Tem encomendas, mas vive um estrangulamento financeiro, que está já a prejudicar o pagamento de salários”, explica.

 

 
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