Saúde
Primeira farmácia hospitalar
Escrito por Iolanda Nunes   
17-Set-2008
Hospital Santo André


A primeira farmácia hospitalar abriu no passado dia 4 de Setembro em Leiria, A concessão está a cargo da empresa Amado Elias Tomaz, Farmácia Unipessoal, Lda., também proprietária dos laboratórios Beatriz Godinho e Tomaz.
O estabelecimento funciona num espaço autónomo, junto às consultas externas do estabelecimento de saúde, e abriu na passada segunda-feira, um mês depois do previsto.
Em declarações à agência Lusa, Hélder Roque, o presidente do conselho de administração do hospital de Leiria, afirma que se trata de “um projecto pioneiro que prestigia o Hospital de Santo André".
A inauguração contou com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates e da ministra da tutela, Ana Jorge.
A Ordem dos Farmacêuticos contestou este projecto, tendo a bastonária admitido que muitas farmácias podem fechar se o projecto for alargado.
Para a Elisabete Faria, o principal beneficiado é o Estado, através das administrações hospitalares e acusa o governo de não saber gerir o sector da saúde. No entanto a ministra da saúde, Ana Jorge, recusou a ideia de se estar a criar um serviço de concorrência às farmácias de venda ao público fora dos hospitais.

 
Anorexia Nervosa
Escrito por Dulce Sequeira/ Lucília Clemente /Lucília Vala   
17-Set-2008
Uma estranha doença

Nestes últimos anos as DCA (Doenças do Comportamento Alimentar) têm vindo a ser alvo de interesse por parte dos meios de comunicação social, com referência a casos extremos de morte, estando o público em geral, mais desperto para este tipo de doenças.
De facto, é importante estarmos atentos para poder preveni-las ou iniciar o tratamento precoce, uma vez que a sua maior incidência é na puberdade e adolescência, introduzindo atraso ou paragem no crescimento e bloqueio no desenvolvimento psicológico, ou mesmo por em risco a vida
 
Evolução Conceito

Ao longo dos tempos, as DCA têm ocupado um lugar mais preponderante na investigação e na actividade clínica, sendo actualmente consensual que não se trata de “doenças da moda” ou exclusivamente das últimas décadas, mas sim, perturbações com características específicas e bem demarcadas que atravessam séculos e gerações.
 Descrita pela primeira vez  em 1694 por Thomas Morton, médico inglês, que lhe chamou Caquexia nervosa e a descreveu como uma atrofia nervosa.Uma rapariga de 18 anos que se apresentava pálida, magra, reduz drasticamente a comida, deixa de ser menstruada sem causas aparentes e estuda infatigavelmente durante toda a noite. Define-a como um esqueleto revestido de pele e atribui esta situação a violentas paixões do espírito.
Para Sequeira e Bouça (2006) a Anorexia Nervosa é a resposta a conflitos internos típicos da fase do processo de desenvolvimento pelo que todos os jovens passam, tais como dificuldades de relacionamento com amigos e familiares, e ainda a dificuldade de conseguir lidar com o mundo interno de novas emoções e transformações físicas. Estas dificuldades são acompanhadas com grande ansiedade, provocando mal-estar interno, mal-estar que é manifestado através do corpo. Este processo de transformações é sentido como algo que está fora do seu controlo e a tentativa de controlar o corpo através de restrições é a forma ilusória que estes jovens arranjam para terem a sensação que podem controlar algo. Mas acaba por ser ineficaz porque perdem o controlo da perda de peso, atingindo pesos muito baixos que põem em risco as suas vidas.

(Continua)

Enfermeiras Especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica
Dulce Sequeira/ Lucília Clemente /Lucília Vala
 
CULTURA DENTÁRIA GERAL (19)
Escrito por Paulo Andrade   
17-Set-2008
Diz a sabedoria popular: “no poupar é que está o ganho!” A questão que se coloca desta vez é: qual será a melhor forma de “poupar” nos tratamentos da boca e dentes ao longo da vida? 
A minha experiência enquanto profissional e a evidência no geral apontam apenas para uma conclusão: a melhor forma de evitar os problemas (dentários) e assim “poupar” nas despesas associadas é apostar ao máximo na prevenção, de modo a que as cáries dentárias e/ou doenças das gengivas não aconteçam ou sejam tratadas a tempo, com mais garantias de sucesso clínico a longo prazo.
E quando se fala de prevenção, eu divido-a em dois níveis: a prevenção primária que consiste na higiene diária (que todos devemos fazer através da lavagem da boca e língua) e a prevenção secundária, através de um programa de consultas regulares de rotina, que permita detectar e eventualmente corrigir os “pequenos problemas” antes que se tornem problemas verdadeiramente grandes.
Já os estou a ver a avançar e a dizer “pois, mas as consultas de rotina e os tratamentos só por si são caros e assim não se poupa nada, antes pelo contrário…”, ao que eu respondo: é tudo uma questão de mentalidade e de estabelecer prioridades na vida!
Agora irei tentar demonstrar em poucas linhas aquilo que acabo de dizer:      
     
“ECONOMIA DENTÁRIA”: A DISCIPLINA QUE NÃO SE ENSINA NAS ESCOLAS

Está mais que provado que, por diversas razões, o ser humano pode perder ao longo da vida até todos os dentes existentes na sua boca. Para quem sofra esta fatalidade restam duas alternativas: ou permanecer desdentado ou fazer e usar prótese(s) dentária(s).
 Ora, há algum tempo atrás resolvi fazer umas contas interessantes: dentro do que já é possível fazer hoje em dia, temos a possibilidade de substituir os dentes perdidos por próteses fixas sobre implantes (ver artigos anteriores). Usando valores de 2005, uma prótese total suportada por quatro implantes poderia custar a módica quantia de 7600 euros, o que seria suficiente para cerca de 152 tratamentos dentários “normais” (tomando como referência um valor de 50 euros), ou se preferir-mos, suficiente para dois tratamentos por ano durante 76 anos!
A principal pergunta a fazer é: será necessário chegar a tanto? Na minha opinião, não.
A menos que se morra jovem, a melhor forma de preservar os dentes naturais durante toda a vida consiste em apostar ao máximo na higiene oral (prevenção primária), não esquecendo a vantagem (real) de controlar periodicamente o estado geral da boca através de consultas de vigilância (prevenção secundária).


 

PREVENÇÃO PRIMÁRIA: ESCOVAR É PALAVRA DE ORDEM!


 

PREVENÇÃO SECUNDÁRIA: CONSULTAS DENTÁRIAS DE ROTINA

Se considerar-mos o exemplo anterior, bastando uma consulta de rotina por ano, com algum cuidado e “trabalho de casa” diário poderíamos viver até aos 152 anos de idade com dentes naturais! Deixo a cada um dos leitores a reflexão sobre se não seria uma boa ideia…
Á parte tudo isto, para aquelas pessoas que têm frequentemente problemas dentários, repito que mais vale apostar numa vigilância mais apertada e na realização de tratamentos o mais cedo possível, porque o adiar das intervenções só irá acarretar mais custos! E aqui, temos o exemplo clássico: um dente com cárie detectada precocemente pode ser tratado em apenas uma sessão; em estado mais avançado de deterioração, poderá necessitar de várias sessões (ficando por isso mais “caro”, além de mais frágil) ou, em última instância estará irrecuperável, tendo de ser extraído (o que também comporta custos), obrigando mais tarde à sua substituição por uma prótese (com os custos associados ao seu fabrico!).


 

AO LONGO DA VIDA, HÁ QUE INVESTIR SOBRETUDO NA PREVENÇÃO PRIMÁRIA (hoje já é possível comprar escovas e pastas dentárias em praticamente todo o lado)


 

PROPORCIONALMENTE, A PREVENÇÃO SECUNDÁRIA DEVERÁ REPRESENTAR UM PEQUENO INVESTIMENTO DURANTE A VIDA INTEIRA, EVITANDO AO MÀXIMO OS TRATAMENTOS COMPLEXOS (vão por mim)


Portanto, antes que me chamem chato, termino este artigo com uma última reflexão: se um ano tem por norma 365 dias, este é o número de dias que os nossos dentes (naturais ou não) têm que trabalhar anualmente (a menos que façamos jejum durante alguma fase do ano), não tendo direito a férias, nem feriados nem fins-de-semana (etc.). Se isto não bastar para merecerem o nosso respeito e admiração…
Há ou não que estimá-los?


 
Amor ou calor?
Escrito por Cátia Costa   
21-Ago-2008

A nossa vida é regulada por vários tipos de ritmos biológicos. Fazemos alternância entre estarmos acordados e a dormir e muitos dos processos químicos são organizados tendo por base o dia e noite, o Verão e o Inverno, por exemplo. O cérebro comunica com o corpo através do sistema nervoso e de substâncias especiais como as hormonas. E por falar em hormonas, sabia que estas são mais abundantes nos dias longos e quentes de Verão?
O Verão é a estação mais quente do ano, onde as temperaturas permanecem elevadas e os dias são mais longos, tem mais luz e até mais tarde. Para além de tudo isto, o Verão é também o período do ano reservado para férias pela maioria dos comuns mortais!
Este conjunto de factores torna as pessoas mais bem dispostas, mais confiantes, mais receptivas a emoções prazeirosas, ao convívio, às saídas com os amigos, às saídas ao ar livre, o que consequentemente contribui para que os níveis de stress baixem de forma significativa.
Será que este conjunto de factores tem alguma relação com as conhecidas paixões de Verão?
A resposta é sim, sejam elas paixões efémeras ou não. Os dias são mais soalheiros, mais entusiásticos e mais brilhantes. No Verão as pessoas riem e sorriem mais, a sensualidade parece flutuar nos corpos queimados pelo sol e despidos pelo calor…
É por isso sobejamente conhecido que esta época do ano é mais “favorável” para os que “procuram” o amor ou a paixão.
Por outro lado, quais serão as repercussões deste “fenómeno” nos casais que já estão juntos há mais tempo? Será que é o momento para dar um novo alento à relação, torná-la mais entusiasmante e mais estimulante ou por outro lado, será o momento em que a relação é posta em causa e será uma oportunidade para conhecer novas pessoas?
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, os portugueses casam cada vez menos e mais tarde, no entanto é no Verão que os portugueses casam mais, contudo, é logo a seguir, no Outono, que ocorrem mais divórcios e separações. O que significa que o Verão e o período de férias poderão ser um teste ao relacionamento de um casal.
 Existem inúmeros casais que felizmente superam esta prova facilmente, mas os casais que apresentam mais fragilidades, tendem a não conseguir responder positivamente ao desafio.
Porque será então mais emergente o desentendimento de certos casais nas férias? 
Para além de existir maior probabilidade de conhecerem outras pessoas durante o Verão, os “cônjuges” passam muito mais tempo juntos nas férias e, se o seu amor estiver fragilizado, pode desenvolver situações de irritação e conflitos constantes. Por outro lado, se existirem problemas de comunicação, estes tendem a agudizar-se, originando discussões “aparentemente” sem motivo. Posteriormente instala-se um clima de tensão em que deixam de se partilhar tarefas, emoções e sentimentos e os companheiros acabarão por se sentir como “estranhos”. Há inclusivamente casais que não conseguem ir de férias sozinhos. Será isto um sinal de deterioração relacional ou simplesmente um estilo de vida?
Neste verão descanse, aproveite e divirta-se activaMENTE!

 
CULTURA DENTÁRIA GERAL (18)
Escrito por PAULO ANDRADE   
21-Ago-2008

Como escrevi no artigo anterior a este, eu não sei o que é “chumbo” em Medicina Dentária.
Por uma razão bastante simples: não só nunca “chumbei” durante os anos de estudo, como não existe um único material dentário que contenha o elemento chumbo na sua composição!
Numa época em que estão em voga os debates na televisão acerca de temas controversos (e ainda bem), penso que será útil esclarecer a população em geral relativamente a um assunto que também já surgiu na televisão e em algumas revistas por mais do que uma vez, sem que, na minha opinião, se tenha informado devidamente as pessoas.
Estou a falar das Amálgamas Dentárias (incorrectamente chamadas de “chumbo”) e da sua utilização para restaurar dentes no ser humano.
As questões colocadas nessa altura foram: será que o “chumbo” colocado nos dentes é prejudicial à saúde? Será necessário substituir todos os “chumbos” existentes nas bocas por outros materiais?
Então eu pensei: “Santa ignorância!...”

- SERÁ QUE O “CHUMBO” DOS DENTES FAZ MAL À SAÚDE?

Surpreendeu-me tempos atrás um artigo publicado na revista Teste-Saúde, segundo o qual o “chumbo” dos dentes poderia ser prejudicial à saúde (!?).
Dizia lá que, de acordo com um “estudo” efectuado algures no estrangeiro (mas que eu nunca vi publicado), o mercúrio das amálgamas é susceptível de provocar vários distúrbios no organismo, pelo que seria aconselhável não utilizar este material…
A este respeito só me ocorre dizer o seguinte: aos malefícios provocados pelo mercúrio dá-se o nome de mercurialismo, um conjunto de sinais e sintomas que aparecem apenas caso a exposição a esta substância for em doses elevadas ou muito prolongada no tempo.
Ora, a quantidade de mercúrio libertada pelas amálgamas existentes no interior de uma boca durante todo o seu tempo de vida útil é inferior à quantidade de mercúrio que ingerimos de uma só vez ao comer um simples peixe (por exemplo), portanto…
Além disso, o risco de mercurialismo, se houver, é para os profissionais dentários e seu pessoal auxiliar, os quais estão mais do que informados e sabem como evitar o contacto directo com a(s) substância(s) potencialmente nocivas para a sua saúde, com as quais lidam diariamente.
 

 

A AMÁLGAMA DE PRATA É FORNECIDA EM CÁPSULAS INDIVIDUAIS COMO ESTA

Para evitar riscos desnecessários, a amálgama vem acondicionada dentro de cápsulas individuais que são abertas apenas durante a fase de execução das restaurações dentárias e eliminadas logo de seguida (não para o “caixote do lixo” normal, mas para recipientes próprios com recolha selectiva).
Posto isto, resta acrescentar que não existe qualquer fundamento para ter receio de realizar restaurações dentárias com amálgama de prata e muito menos para retirar da boca restaurações com este material já existentes.
A substituição de restaurações antigas de amálgama por outros materiais só se justifica caso estas estejam a entrar em falência ou por questões meramente estéticas…

 

DENTES COM RESTAURAÇÕES ANTIGAS EM AMÁLGAMA DE PRATA


 

 

 

 

 

OS MESMOS DENTES APÓS SUBSTITUIÇÃO DAS AMÁLGAMAS POR COMPÓSITOS
(por uma questão meramente estética)

 

Em zonas críticas (como abaixo do nível da gengiva por exemplo), a amálgama de prata consegue garantir uma selagem mais eficaz da cavidade (“buraco”) do dente em comparação com a maioria dos compósitos, pelo que, não havendo qualquer risco para a saúde, até é capaz de valer a pena (não?).
Além disso, a verdade é que a amálgama “sobrevive” melhor em condições adversas e, acreditem, o interior de algumas bocas pode considerar-se extremamente hostil para todo e qualquer trabalho que um dentista pretenda lá fazer!


 

GRANDE RESTAURAÇÃO EM AMÁLGAMA NUM MOLAR INFERIOR
(até abaixo da papila gengival no espaço inter-dentário)

Assim, nos casos e nas situações em que exista vantagem real para o uso de amálgama dentária (desde que não interfira drasticamente na estética do indivíduo), não vejo motivo para evitar fazê-lo e muito menos por receio de prejuízo para a saúde.


Texto e imagens: Paulo Andrade