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Miquelina
Mini-saias...
Escrito por SN   
19-Fev-2009
Já foi tempo que a minha burra se perdia em devaneios carnavalescos do despe e veste no Quartel dos Bombeiros, nos tempos áureos de há três décadas atrás. Eram bem diferentes esses tempos idos, onde as brincadeiras
corriam no sangue da malta em vez de em discotecas desafiadas em blogues que dizem ser defensores e motores da cidadania. Dizia Miquelina, a propósito:
- Era bem fixe haver de novo um baile nosbombeiros!
E continuou:
- Pior eram os meus cascos… Os vernizes da rapaziada salgueirista arranjaram a Praça da República e deixaram tudo lixado à volta…
Arranjaram os passeios de S. Miguel e deixaram tudo lixado do outro lado…. Estão a acabar a antiga piscina e lá estão a borrar de branco o resto do edifício, mas a calçada debaixo das árvores está uma redonda miséria…
Uma lástima.
E sem quase respirar:
- Nem sei como é que o Bino lá arruma o seu carrito, uma bomba baixinha, nas manhãs de todos os domingos conversantes, com moedinha pelo meio para ver quem paga, a ver um rio quase vazio em mar de inverno. Roeram-lhe
o fundo…. De pouco valeu terem visto erevisto o seu alinhamento…
Quase de enfiada, continuou:
- E mais… Estão giras as floreiras do muro… Fantásticas!... Bem, como é carnaval…nada parece mal… Até já puseram
as minhas carroças na rotunda da Corredoura…
Vou ter folga… e pode até ser que, em maré de crise, possa ter alguma folia.
 
BURACOS…
Escrito por SN   
06-Fev-2009

Era Sábado. Miquelina, a minha burra, um dia destes, vinha completamente doida. Andava de um lado para outro a sacudir roupa. Até parecia que tinha coisa má, ou estava com a mosca do costume, que bastas vezes lhe ataca o feitio. Resmungava e praguejava em toda a linha. Despiu-se toda e vestiu nova roupa. Por entre crinas danadas atirou:
- O cheiro a merda lá de baixo empestou-me a roupa toda. Mesmo ao pé dos cafés, que são cinco, ao fundo da Sá Carneiro. Aperaltam tudo e deixam aquela imundice horas a fio… A tampa de esgoto, ao pé do Edgar, é uma fossa ao ar livre a vomitar porcaria, há dezenas de horas. Para quem começa cedo a trabalhar e tarde acaba é, no mínimo, anedótico.
Ao aperceber-me do que se tratava, tentei pôr água na fervura:
- O que é que foi rapariga, os problemas de saneamento são normais e nem sempre fáceis de resolver e aquela zona está toda lixada.
Miquelina bufava. As narinas até ficavam giras fazendo lembrar as fotografias fantásticas de cavalos do Tim Flash, que vimos há dias. No meio de tanta barafunda:
- Tanto tempo! Se fosse para receber flores lá estavam todos alinhados, como de costume… menos de costume agora… pensando bem, já não os vejo tantas vezes juntos… Mas como já despacharam uma para o turismo, que atrapalhava o futuro e  tapava um buraco, bem pode ser que se voltem a concertar e a refazer o célebre quarteto de estalo...
Tive de rir o que enfureceu, ainda mais, Miquelina, que concluiu enquanto saía apressada:
- Praças e pracinhas com inaugurações a montes… quase à moda do Telmo de Óbidos que inaugura uma cadeira com um Secretário de Estado… e deixam uma camioneta de buracos por tapar nas principais ruas da vila… uma tristeza. Vernizes em unhas sujas… Beijinhos…
E lá foi para a “Night” como costuma dizer, abanando as sensuais ancas.

 
SEM FIOS…
Escrito por SN   
22-Jan-2009

 minha burra, num pijama tipo cinto, que lhe deixava ver mais que tudo, de um azul da cor do céu, numa semana em que o Sócrates, e só ele o poderia fazer, se prepara para uma longa luta em prol dos casamentos homossexuais, parecia eufórica. Não eram, por certo, as vitórias do nosso Benfica, oferecidas pelos árbitros, o motivo do seu contentamento… nem sequer a tragédia italiana do meu Mourinho em Bérgamo. Como sempre a explicação viria logo a seguir:
- A rapaziada que manda cá na malta está mesmo fixe! O tal “Wireless”, culturalmente impróprio, não funciona nos sítios indicados pela nossa autarquia. Talvez seja por culpa das minhas antenas, já gastas de tantos coices….
E, quase sem se deter:
- E mais giro ainda é que andaste para aí com o menino, não presbítero, da amarela a fazer “sítios da internet” para a câmara e para as juntas freguesia, para essa mesma rapaziada deitar para o lixo. Estranho, muito estranho!...
- Estranho o quê? – Perguntei eu.
- Simples, e devias saber muito bem disso – respondeu de pronto Miquelina, que concluiu:
- Os sítios das juntas de freguesia, feitos pela antiga malta, rotulados de palermas, andam lá pelos primeiríssimos lugares, numa escolha nacional, e o da câmara pelos últimos, apesar de terem mudado já de equipa produtora várias vezes, com compromissos a perder de vista… e com conteúdos do século passado, ou quase, onde eventos de 2007 assumem papel de coqueluche! Fantástico! Absolutamente único!
E para concluir, enquanto trincava mais um chocolate:
- Sabes… gente sem fios….

 
QUE FESTANÇA!
Escrito por SN   
08-Jan-2009


A minha burra nem podia estar mais contente, digo mesmo quase histérica, coisa não rara no mais vulgar feminino. Não era por certo pela derrota do nosso Benfica, lá para a Trofa. Era diferente a questão e quase se esfarrapava na pouca roupa que vestia, ali mesmo à beira do crepitar de lume, com saia arregaçada até ao pescoço, dizia:
- Mais uma vez a malta está para aí nos jornais todos, pelos melhores vestidos, até pareces tu na história dos meteoritos…
- Já sabia que haveria de sobrar para mim – disse eu enfadado.
Miquelina nem se deteve:
- Quando isso aconteceu deste a cara e assumiste a culpa, embora tenha havido, nessa altura, muito mais gente à mistura, até da comunidade científica, com culpas no cartório... Agora o chefe desta banda nem sequer prestou declarações. O tal… O dono do pelouro… E lá foi a tralha toda para os conceituados Correio da Manhã, Rádio Comercial e jornais de Leiria…
E sem respirar:
- Sobrou para o Salgueirinho, o que não tem culpa nenhuma nesta guerra. Que bom seria que despejassem o professor lá para uma DREC qualquer… Para além de não termos de aturar o mau feitio, deixaríamos de ter um não culpado. E até podia aparecer alguém que fizesse alguma coisa.
Para meter ferros, lá atirei umas biscas:
- Aquilo até foi fixe. O problema da pistola foi não ter funcionado, como devia, para o filho do Malhó… O mel do Correio da Manhã foi ter ali mesmo à mão mais uma anedota, a vantagem da Rádio Comercial foi ter ali uma situação única para comediar toda a manhã. Sem esquecer o custo controlado de tão original, obra do Bino, por certo. E eu, de toda a tralha banal que a rapaziada entregou, queria a pistola. Queria mesmo!
Miquelina, sempre sábia, quando quer, rematou:
- Com tantos tiros por aí, daqueles que matam mesmo, a dignidade, os sonhos, as vidas, ainda andam para aqui com paneleirices. Que festança!
 
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