Editorial
Incompreensível
Escrito por Isidro Bento   
19-Fev-2009

A reflexão de hoje nasce de uma situação com que me deparo todos os dias, para grande irritação minha, diga-se em abono da verdade. Para a maior parte das pessoas com quem já falei, trata-se de um mero caso de desrespeito ao código da estrada mais a justificar a intervenção policial que um olhar crítico num artigo de opinião de um jornal.
Mas a paragem e o estacionamento anárquicos, em cima da passadeira e quantas vezes em segunda fila, junto ao portão da Escola do 1º Ciclo de Porto de Mós à hora de início e término das aulas é, para mim, muito mais que uma mera infracção de trânsito, é uma falta de respeito para com os cidadãos que também utilizam aquela via, é pôr em perigo os seus filhos e os dos outros, é dar um péssimo exemplo a quem tem no exemplo a sua melhor educação, daí que, seja bem mais que um simples “caso de polícia”.
Curiosamente, a dita cuja, àquela hora, pelos vistos, nunca passa por ali, ou então se passa distrai-se com qualquer coisa porque o caos é uma constante diária. Enquanto isso, os restantes condutores lá vão fazendo a sua prova de obstáculos e rezando para que de entre aquela confusão de carros e carrinhas não saia nenhum miúdo disparado. Mas por vezes saem e os acidentes só não acontecem por milagre. Ainda há pouco uma criança escapou por escassíssimos centímetros a um embate que podia ser fatal ou com consequências para a vida inteira, porque surgiu do nada e o condutor apesar de seguir devagar só a muito custo (e com um valente susto) conseguiu parar.
O que mais me irrita é que a solução está a meio dúzia de metros de distância e aos olhos de toda a gente. Se todos estacionassem no parque onde decorre o mercado semanal, os miúdos podiam ir pelo passeio, em total segurança e à vista dos pais e não se cansavam nada. A única excepção que ainda admito é em dias de chuva.
Cada um educa os seus filhos como quer e melhor sabe, mas custa-me a perceber a necessidade de ir levar e buscar as criancinhas mesmo ao portão da escola (e só porque não se tem acesso à sala de aula). Porto de Mós estará tão inseguro que não possam andar sozinhos, pelo passeio, e à vista dos pais, durante meia dúzia de metros? Que autonomia e responsabilidade estamos a dar/ensinar às nossas crianças?

 
Contas
Escrito por Isidro Bento   
06-Fev-2009

Em Fevereiros de 2005 e também a não muitos meses das autárquicas, tentámos perceber quem eram os principais intervenientes na Assembleia Municipal e quantas vezes o tinham feito durante o mandato, bem como, quantos tinham entrado mudos e se arriscavam a sair calados.
Quatro anos depois, decidimos repetir a experiência e os resultados são quase idênticos aos de 2005. Assim, nas 18 sessões analisadas, das 36 pessoas que já intervieram, apenas nove o fizeram 20 ou mais vezes. No grupo das que falaram 10 vezes ou menos estão 22 pessoas. E continua a haver pessoas que nunca disseram de sua justiça.
Pessoalmente, acho os números exagerados nos dois sentidos. Penso que é opinião mais ou menos consensual entre as pessoas independentes que acompanham os trabalhos da Assembleia, que em Porto de Mós se fala muito e se diz (e faz) pouco.
Por outro lado, não deixa de ser estranho que haja um tão grande número de pessoas a intervir, apenas, uma ou duas vezes em quase quatro anos (11). Afinal, estamos a falar do órgão, por excelência, para a discussão dos problemas do concelho; o nosso parlamento, o lugar onde têm assento as pessoas que escolhemos para nos representar; os presidentes de Juntas de Freguesia, e naturalmente, os elementos do executivo camarário.
Participar nas sessões e votar é importante mas não devem ser as únicas obrigações de um elemento da Assembleia Municipal, até porque todos sabemos que muitas vezes, as votações obedecem a uma lógica ou a uma quase disciplina de voto instituída pelas lideranças partidárias. Além disso, pouco ou muito, a verdade é que as pessoas recebem senhas de presença para efectuar um trabalho global e não, apenas, uma das funções.
Se a não participação activa deixa muito a desejar, o mesmo acontece ao intervir por intervir e isso parece-me que acontece com mais frequência do que seria normal. Aliás, na nossa assembleia, o que há mais é casos de pessoas que intervêm para dizer que concordam com tudo o que foi dito por quem os antecedeu mas sem acrescentar nada de novo, ou então aqueles que falam, tão só para anunciar que vão votar a favor ou contra… porque sim…

 
Um plano bem-vindo
Escrito por Isidro Bento   
22-Jan-2009

A divulgação pública do trabalho “Porto de Mós, Desafios 2009-2025”, de João Neto, é sem dúvida uma das boas-novas que marcam esta quinzena.
Depois de anos a fio a ouvir dizer (e a reclamar) que Porto de Mós precisa de um plano estratégico que permita traçar as grandes linhas de orientação para os próximos 20 anos, de forma a desenvolver-se com qualidade, foi com prazer que fiquei a saber que há já um trabalho feito nessa área, por um portomosense “de gema”.
O documento não sendo a solução para tudo, pode ser o princípio de algo. Assim o queiram os políticos da nossa terra e, a um outro nível, a própria população. Isto, porque, em sentido estrito é, tão só, o contributo que um dos 25 mil habitantes do concelho quis dar para a discussão de um tema que lhe é caro. Trata-se de um excelente mote para se falar sobre o nosso futuro colectivo mas não obriga ninguém, nomeadamente, as pessoas que detêm o poder político e o poder executivo em particular.
Um dos riscos que se corre de todo esse trabalho se revelar inglório é, precisamente, o cair-se no erro de analisar o documento tendo em conta quem o elaborou e aquilo que fez de bom ou de mau na vida política e pública, ao invés de se apontar baterias para a discussão das ideias que contém e dos rumos que aponta.
Infelizmente, na nossa terra as pequenas invejas, intrigas e as “vistas curtas”, acabam muitas vezes por pôr em “xeque” ideias válidas e projectos de mérito, apenas, porque foram outros que não nós, a apresentá-los. Esperemos que desta vez isso não aconteça e que em torno deste documento surja uma discussão séria. É o mínimo que podemos fazer por quem aceitou partilhar com toda a comunidade as suas ideias sobre o futuro de Porto de Mós. Se depois, quem detém o poder entender que o plano é exequível, pode tentar, com os necessários acertos e adaptações, pô-lo em prática.
Para terminar só uma nota. É curioso e de alguma forma sintomático que João Neto considere que de todas as pessoas que passaram pela gestão autárquica, o único que vê com capacidade para poder levar em frente este plano, é o antigo presidente da Câmara, Gomes Afonso.
Não é por acaso, decerto, que ele como muitos outros portomosenses continuam a associar o eng. Gomes Afonso a um dos períodos de maior desenvolvimento do concelho…

 
A não esquecer
Escrito por Isidro Bento   
08-Jan-2009

Hoje estamos de parabéns. Aliás, hoje continuamos em festa porque o nosso aniversário, o aniversário de O Portomosense foi há dois dias. Com este número, entramos, assim, no 26º ano de publicação.
Contra ventos e marés mas também com a colaboração de muita gente anónima e verdadeira portomosense tem-se conseguido levar a bom porto este projecto iniciado em 1983 e que teve em João Matias o seu grande mentor e impulsionador, apoiado de forma especial, nessa nobre missão, por Artur Vieira e José Costa.
Hoje, como ontem, as dificuldades são imensas e os apoios quase inexistentes, mas não será por isso que nos desviaremos do objectivo de, mais que disponibilizar um jornal que procura manter-se credível e a par do seu tempo, continuarmos (englobados no projecto CINCUP) a prestar um verdadeiro serviço público à população do concelho e aos nossos concidadãos emigrados. Com a vossa ajuda vai continuar a ser possível!

Quando os portomosenses dão as mãos em torno de um projecto conseguem-se coisas maravilhosas. Em, apenas, dois anos, a CINCUP, já entregou 12 cadeiras de rodas a várias instituições dos concelhos de Porto de Mós e Batalha, com o resultado da venda de tampas de plástico para reciclagem, mas nada disto teria sido possível sem a extraordinária adesão da população e, particularmente, da comunidade escolar. São vocês quem, verdadeiramente, merece o aplauso e o “muito obrigado” sentido, que ouvimos da boca dos responsáveis das instituições apoiadas.

A Assembleia Municipal continua a ser palco de situações que envergonham a todos, ou a quase todos, porque há aqueles que teimam no erro e no desprestigiar da que devia ser a nossa mais nobre instituição.
Basta uma leitura atenta ao relato que fazemos daquilo que aconteceu na última sessão (e não foi aquela onde ocorreram os incidentes mais graves…) para, facilmente, se descortinar ali atitudes e palavras reprováveis em diversos actores políticos mas que são uma constante de há três anos a esta parte. Até quando?...

A polémica das “pistolas” é merecedora de uma reflexão atenta de pais, técnicos, autarcas, candidatos a autarcas, jornalistas e simples mal-dizentes. Foi por aquele “projecto” de arma que a minha terra mais uma vez foi enxovalhada a nível nacional? Haja dó!

 
AQUI MESMO AO LADO
Escrito por Isidro Bento   
22-Dez-2008

Para esta segunda edição especial de Natal, decidi trazer algo diferente, embora não inédito, já que não é a primeira vez que, por altura desta quadra festiva, dou destaque a um texto ou um poema escrito por outra pessoa que não eu, nem ninguém da equipa que tenho o prazer de coordenar.
A intenção é sempre a mesma: evocar o Natal e deixar algumas pistas para reflexão. Umas vezes, por iniciativa própria, outras fascinado por textos com que me deparo e que entendo compartilhar com os nossos leitores. Aquele que hoje trago, da autoria de João Neto, foge ao que é comum nesta época, encerrando mesmo alguma dureza e um certo desencanto, mas, por isso mesmo, convida a que reflictamos sobre a nossa vida e os nossos natais.

“O Natal é, para mim, uma quadra verdadeiramente terrível. Quase tudo é mau, supérfluo, efémero, banal. A 26 de Dezembro lá volta tudo à rotina dos mundos cilindrantes, lá voltam a surgir, por debaixo do manto das aparências, as invejas, os ódios, os atropelos... E os outros que, igualmente ao lado, descambam em mantos de indiferenças repetidas. O Natal é uma trégua de guerra em que os beligerantes tomam posições para atacar de novo. Por cá há tanto disso… Tanto! Tanta 
gente que ouve a dor do silêncio, tanta gente que sofre em silêncio, tanta gente que ajuda em silêncio, muitos bem acima do que podem, e tanta gente que ama em silêncio, todos os dias do ano.
O Natal não está nas bolas coloridas, nem nas figuras do presépio, quer tivessem sido feitas na escravatura de mãos infantis chinesas ou na mais refinada burguesia das grandes marcas de moda. O Natal está sempre aqui, no bom dia repetido e sentidamente dito à senhora que limpa as escadas do nosso prédio, aqui mesmo ao lado; no sorriso a quem passa na rua, aqui mesmo ao lado; na mão aberta de tantos meninos de rua, tão bonitos quanto os nossos, que dormem ao relento em lençóis de vento e que não comem, aqui mesmo ao lado; no olhar atento de quem 
desespera, aqui mesmo ao lado; no colega de trabalho, no irmão, no filho, nos pais que abandonámos em lares, aqui mesmo ao lado. Que cada um de nós possa ser um pouco melhor”.
 
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