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Ana Narciso e João Salgueiro não se entendem
 Primeiro foi a troca de “galhardetes” a propósito de obras nalgumas escolas do concelho, depois a polémica em torno da localização do futuro quartel dos bombeiros de Porto de Mós. Numa sessão onde reinou a unanimidade nas deliberações, as principais notas dissonantes foram as palavras azedas que a deputada municipal Ana Narciso e o presidente da Câmara, João Salgueiro voltaram a trocar na Assembleia Municipal. “Tenho ouvido sistemática e variadíssimas vezes na Assembleia dizer-se que os bombeiros ainda não decidiram o local onde instalar o seu quartel. Isso não é verdade. De acordo com os documentos que tenho aqui, há uma carta dirigida à Câmara em que são indicadas três hipóteses” disse mostrando uma série de fotocópias. “Gostaria que daqui para a frente não ouvisse mais neste espaço esse argumento. Está escrito. Inventem outras desculpas, agora esta, não!” Em resposta, e pela segunda vez nessa sessão, João Salgueiro voltou-se para a deputada e perguntou-lhe por onde é que tinha andado. “Fez parte parte dos órgãos sociais dos bombeiros durante tantos anos. Já teve alguém ligado a esses mesmos órgãos e vem agora levantar esta questão? Quando lá esteve onde é que andou? É que já se fala disto há 20 anos. Mandar palpites e dizer que o quartel fica bem aqui ou ali, não chega!”, disse revoltado. João Salgueiro voltou a frisar que “não é à Câmara que compete escolher o local onde instalar o quartel” embora se mostre disponível para “comparticipar na aquisição do respectivo terreno”. “Não fui eu que escolhi onde a senhora quis viver e também não tenho de ser eu a escolher onde os bombeiros querem o quartel”, afirmou.
Quem é a senhora para admitir ou deixar de admitir? Salgueiro rejeitou também a postura da deputada em relação às suas intervenções na AM. “Quem é a senhora para admitir ou deixar admitir o que eu digo aqui? É deputada municipal e respeito-a como tal, mas também tem que me respeitar enquanto presidente da Câmara. Tal como eu tenho de admitir aquilo que me queira dizer, tem de fazer o mesmo em relação a mim, desde que não a ofenda pessoalmente, como penso que não é o caso”, disse peremptório. Ana Narciso tentou “defender a honra” mas ficou a falar sozinha ou quase. Assim, que começou a intervenção, João Salgueiro abandonou a sala, logo seguido pelos vereadores Albino Januário e Rui Neves. A vereadora da Acção Social, Rita Cerejo, ainda deu sinais de que seria a próxima, o que deixaria a mesa da presidência deserta, mas acabou por desistir. Esta atitude foi, prontamente, rejeitada por Ana Narciso, acrescentando não ter “nenhum problema com o passado mas sim querer discutir o futuro e encontrar uma solução”. “Não posso é continuar a ouvir o mesmo. Os bombeiros em 2006 indicaram a Várzea e em 2008 deixaram três localizações possíveis, portanto já disseram o que queriam, a Câmara é que não avança”, afirmou agastada. Após esta intervenção, a deputada do PSD entregou as cópias das cartas ao presidente da AM que a questionou se tinha a certeza que “o assunto está neste pé”, o que esta confirmou. Mário Pragosa disse-lhe, então, que estava enganada e aconselhou-a “a falar com a direcção dos bombeiros para melhor esclarecimento”. Ao que O Portomosense apurou, de facto, houve alguns desenvolvimentos neste “braço-de-ferro” e bombeiros e câmara chegaram a uma situação de compromisso. A associação humanitária vai indicar o local onde gostaria de ver instalado o quartel e a autarquia compromete-se a dizer se aprova esta localização.
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