7 Maravilhas Naturais de Portugal
Final do Concurso a 7 de Setembro Grutas de Alvados e Mira de Aire aguardam selecção de domingo Foi no passado dia 22 de Fevereiro que a autarquia de Porto de Mós quis dar a conhecer as Grutas de Alvados e Mira de Aire, que ainda se mantêm no concurso "7 Maravilhas Naturais de Portugal". É já no próximo domingo que decorre a selecção que definirá a lista das 21 finalistas que estarão na final do concurso, com data marcada para 7 de Setembro deste ano. Em conferência de imprensa, antecedida de uma visita guiada às Grutas de Alvados e Mira de Aire, os responsáveis enalteceram as características do património natural do concelho. Na ocasião, marcaram presença João Salgueiro, o presidente de Câmara de Porto de Mós, David Catarino, o presidente da Região de Turismo de Leiria-Fátima, Carlos Galamba, o Administrador das Grutas de Alvados, Carlos Alberto Jorge, o responsável pelas Grutas de Mira de Aire. A autarquia de Porto de Mós candidatou quatro monumentos naturais, distribuídos por duas categorias. As Grutas de Mira de Aire, de Alvados e de Santo António - na categoria "Grutas e Cavernas" – e a Fórnea - na categoria "Grandes Relevos". João Salgueiro acredita que as grutas vão chegar longe. “Temos esperança de que cheguem à final do concurso. Esta é uma boa oportunidade de realçar e divulgar o que Porto de Mós tem de belo”, referiu o autarca. David Catarino elogiou a região pelas suas características naturais. “Temos uma grande diversidade de recursos naturais. Sem dúvida que as nossas grutas merecem estar nesta fase avançada do concurso”, destacou.
 BI Grutas de Alvados - Constituídas por duas partes: a gruta velha (conhecida há 400 anos) e a gruta nova (descoberta em 1964). Esta última, é a parte aberta ao público - Têm um comprimento visitável de 350 metros - Têm uma largura máxima entre salas de 40 metros e uma altura interior de 95 metros - Apresentam-se de forma mais natural que as de Mira de Aire - São consideradas das mais características da Península Ibérica pelo seu percurso em forma de corredor e contínuos algares de altura invulgar - Têm uma temperatura estável entre os 16 e os 18 graus
 BI Grutas de Mira de Aire - Foram descobertas em 1947, despertando curiosidade de vários espeleólogos de Lisboa - Estão abertas ao público desde 11 de Agosto de 1974 - Têm 11km, mas apenas 600 metros são visitáveis - Têm uma temperatura que ronda os 17 graus - Recebem cerca de 6 milhões de visitantes por ano - Estão classificadas de Imóvel de Interesse Público desde 1955 - São local de estudo e investigação espeleológica
A perspectiva de quem está no terreno O que falta em Porto de Mós O património natural é um dos muitos motivos que podem levar os turistas a deslocarem-se a Porto de Mós, mas parece haver muito por fazer. O nosso jornal falou com alguns profissionais da área, e não só, para saber se aproveitamos ou não as nossas "maravilhas" e o que nos falta para atrair pessoas ao concelho. Os especialistas falam em quatro problemas: - não há união e trabalho sério em rede; - há comodismo por parte das entidades; - é preciso estudar potencialidades e especificidades; - falta organizar animação e actividades culturais.
 "Precisamos de conversa, de um trabalho sério em rede" Rui Anastácio Proprietário da Casa dos Matos (Alvados) Posso dizer que as pessoas vêm a Porto de Mós por causa da Casa dos Matos e não o contrário. Sinto falta de união e já cheguei a lançar vários reptos para nos unirmos, formarmos uma rede e pensarmos de forma séria em Porto de Mós. Estamos muito longe disso. A imagem a vender é a do Parque Natural, não é a de Porto de Mós. Penso que Alvados poderia ser um microdestino, já que pode proporcionar actividades de natureza como percursos pedestres, passeios a cavalo ou de burro e visitas a grutas. As empresas com quem tenho parcerias, neste âmbito, são de fora, essencialmente (Rio Maior, Leiria e Alcanena), mas há algumas pessoas do concelho envolvidas. A gastronomia é também muito procurada. Costumo recomendar os restaurantes O Luís, Cova da Velha e a Tasquinha Dona Maria. Em Porto de Mós, não recomendo nada, sinceramente. A vila precisa muito de um restaurante de excelência, que prima pela originalidade e qualidade. Só o castelo vale a pena visitar, mas precisa de vida, porque só por si de pouco vale. Desde eventos culturais, a uma unidade museológica, com certeza que há algo que se pode fazer. Quanto às Maravilhas, são um folclore interessante, mas precisamos é de um trabalho sério em rede.
 "Porto de Mós deve aproveitar o que tem de único" José Alho Ex-director do Parque Natural das Serras De Aire e Candeeiros (PNSAC) Porto de Mós está a ficar para trás na corrida e está mais do que na hora de saber jogar com as suas potencialidades. O PNSAC chegou a ser a primeira área protegida a adquirir a Carta de Desporto de Natureza e não conseguiu mantê-la isso. É pouco o desenvolvimento ao nível de actividades que possam aproveitar as particularidades do terreno como o parapente, o cicloturismo, o turismo equestre e os percursos pedestres. Porto de Mós está a regredir, sem saber aproveitar o que tem de único. Lembro, ainda, o centro de interpretação da Batalha de Aljubarrota, que tem recebido imensos visitantes. Os parques naturais, infelizmente, já deixaram de ter a dinâmica bem interessante que tinham. Nos últimos tempos, têm perdido poder de decisão. Anteriormente, havia uma política de proximidade, mas agora há um desinvestimento nos recursos humanos, resultante de opções de política que centralizam serviços. Outra questão que me preocupa é o Plano de Ordenamento do Parque que está a arrastar-se há anos e lembremo-nos que o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) termina em 2013. Ou seja, estamos a perder muitas oportunidades. Há que pensar nisso.
 "O concelho podia ser líder no Turismo de Natureza" Rui Santos Proprietário da Agência Lisviagens (Leiria) Mesmo que Porto de Mós melhorasse imenso, em termos turísticos, iria demorar muito até conseguir equiparar-se aos outros pólos da região para poder vir a integrar um roteiro. Penso que as entidades de Porto de Mós, ao terem noção desta dificuldade de se colocarem no mapa, tendem a desmoralizar, o que é pior. É como que uma morte anunciada. Na região, Porto de Mós pode ser líder noutro tipo de turismo, mais específico e virado para a natureza. Há os desportos radicais, o turismo rural e a gastronomia típica. São três pontos nos quais o concelho podia marcar a diferença. A tendência da nossa agência é seguir sempre o mesmo, porque é o que vende. Não há novidades. Os nossos roteiros incluem Batalha, Alcobaça, Nazaré, Óbidos, Fátima e Tomar e andamos sempre à volta destes pólos. Eu praticamente não ouço falar de Porto de Mós e é impossível incluí-lo, porque o tempo está todo contado neste tipo de viagens que programamos e vamos ao que é mais mediático. O que atrai os turistas, essencialmente, são monumentos, gastronomia e animação. Um destes só por si não chega. Os pólos que vendemos têm pelo menos dois desses aspectos. Mas isso depende muito das características de cada terra e do tipo de turista.
“Temos que insistir nos eventos culturais, divulgá-los mais e com maior antecedência"  Rui Filipe Proprietário da Residencial Filipe (Porto de Mós) Temos que melhorar a nossa Cultura. Já chegámos a ter eventos bem interessantes como a Feira Medieval, mas não podemos deixar de tê-los só porque não funciona nas primeiras edições. Há que insistir para que o público se habitue. Deve haver mais promoção dos eventos culturais e, essa, deve ser feita com maior antecedência. Penso, ainda, que faltam infra-estruturas que possam dinamizar Porto de Mós. Acima de tudo, e antes de partir para o terreno, é preciso definir uma ideia conjunta. Temos de ver o que temos e saber o que é preciso para desenvolver o que há e o que é necessário criar. Cerca de 90% das pessoas que recebo na residencial vêm em trabalho. Penso que o turismo é residual, mas, isso, deve-se ao facto de não ser bem explorado. Acredito que falta união entre todas as pessoas que podiam mudar isto. Acho que podemos fazer melhor e valermo-nos das diferenças que temos em relação aos outros. As características paisagísticas são únicas e a nossa gastronomia tem coisas muito boas. Na vila de Porto de Mós noto um grande problema. Muitas vezes, à noite, perguntam-me onde se pode comer bem e não sei o que lhes dizer. Tenho muita dificuldade em indicar restaurantes na vila.
“Talvez por não serem tão comerciais é que as Grutas de Santo António perderam a corrida” O presidente de Câmara de Porto de Mós lamentou, na conferência de imprensa, o facto de as Grutas de Santo António terem ficado para trás. O nosso jornal falou com José Alho, ex-director do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e um dos 77 membros do júri do concurso, que apresentou uma explicação. “Muitas vezes, há maravilhas da natureza que ganham por serem mediáticas e famosas. Talvez por não serem tão comerciais é que as Grutas de Santo de António perderam a corrida. Mas isto é muito subjectivo. Eu, por exemplo, vejo mais beleza em certos recantos do que em outros bem conhecidos. O Algar da Pena, para mim, é uma verdadeira obra da natureza, mas não é muito conhecido. E, se fosse, talvez perdesse o encanto que tem", revela.
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