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Salgueiro diz que quem vier a seguir, a demula, se quiser.
Não serão as petições na internet nem os abaixo-assinados que farão parar a construção da Casa Mortuária de Porto de Mós.
João Salgueiro, presidente da Câmara Municipal mostra-se inflexível e diz que a obra é imparável. Questionado na última Assembleia Municipal, por Ana Narciso, sobre quantas mais assinaturas seria necessário juntar às actuais 167 registadas na petição “online”, para se conseguir parar a obra, Salgueiro não referiu, sequer, números, mas a convicção com que falou não deixou margens para quaisquer dúvidas. Venham as assinaturas que vierem o autarca diz que a obra só pára quando for dada por concluída.
“É irreversível enquanto eu for presidente de Câmara. Se o executivo que vier a seguir, a quiser demolir, que demula”, afirmou peremptório.
Quem não se mostra muito certa de toda esta convicção é Ana Narciso. Na declaração lida na Assembleia, a deputada do PSD, afirmou que o próprio autarca e a sua equipa “em algum momento duvidaram da própria escolha, uma vez que durante o período eleitoral, silenciaram as máquinas e interromperam as obras”.
“Está na hora de retomar esta centelha de bom senso que a certa altura o/os assaltou/aram” até porque “não é fácil aceitar que a mesma pessoa que trouxe para o centro da vila a animação (quem não de lembra da actuação da Armada), é o mesmo que instala entre um cineteatro, um mercado activo às sextas e quartas-feiras e um aglomerado de escolas, um espaço que exige recolhimento e oração”, desafiou.
Ana Narciso apelou ao edil para que a surpreende-se e tirasse “da manga” a notícia de que “o mercado é para transformar em biblioteca municipal e ao lado [onde está a ser construída a casa velório] um espaço de lazer e inovação, que junto a um aglomerado de escolas ficaria seguramente numa situação privilegiada e com público garantido”.
Há outras casas-velório em recintos de festas e ninguém se queixa
O presidente da Câmara passou totalmente ao lado do apelo e pela “enésima” vez recordou que “andámos dois ou três anos a discutir a localização com todos aqueles com quem tínhamos de discutir e nunca se chegou a conclusão nenhuma. Foram levantadas várias hipóteses mas por um motivo ou outro, abandonadas, daí que tivéssemos de tomar a decisão. O local escolhido foi aprovado sem nenhum voto contra na reunião de Câmara, e não sendo excelente é bom relativamente à realidade do concelho e o possível dadas as circunstâncias”.
João Salgueiro rejeita o argumento de que a futura casa velório ficará contígua a um espaço pensado para acções de animação o que, eventualmente, perturbará o direito das famílias em velar os seus entes queridos em ambiente de sossego. O edil frisa que as casas-velório de Pedreiras, Calvaria de Cima, Alvados, São Bento e Mira de Aire também estão próximas dos recintos onde decorrem as festas locais e que não há protestos por parte da população.
Para, Ana Narciso embora isso possa ser verdade, em nenhum desses locais “há uma pressão tão grande, semanal e diária como ali”, referiu.
Salgueiro adianta outro motivo para não voltar atrás: “Acabamos de ser eleitos com um programa eleitoral sufragado pelos portomosenses e onde constava a construção da casa-velório, o que nos leva a concluir que havia também muita gente a apoiar o edifício naquele sítio”, conclui.
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