
António Ferraria, presidente da Federação dos Agricultores do Distrito de Leiria, tem dúvidas sobre a concretização da promessa, anunciada por Bruxelas na passada segunda-feira.
Acaba de ser aprovado, pela Comissão Europeia, um programa proposto pela FENALAC (Federação Nacional das Cooperativas de Leite e Lacticínios), com um orçamento total de 4 milhões de euros. A federação receberá um financiamento comunitário de 50 por cento daquele valor.
O portomosense António Ferraria diz, em declarações ao nosso jornal, que preferia “mais acção e menos conversa”. “Diz-se que vem aí dinheiro e, depois, acabamos por não ver nada, porque se perde entre meia dúzia de senhores. É preciso ter calma e saber exactamente de onde vem esse dinheiro, quem o recebe e com que fim”, afirma o responsável. “Estamos já cansados destes agentes políticos que anunciam apoios e, no terreno, pouco fazem. As pessoas lutam pela sua produção, mas ficam frustrados por não verem ajudas. Queríamos que se falasse menos e se fizesse mais”, diz o presidente da federação.
Recorde-se, que, foi a 17 de Julho do ano passado que António Ferraria e muitos produtores de leite, do concelho de Porto de Mós, saíram à rua para protestar contra a grave crise que se vive no sector. Se há 10 anos existiam 87 produtores nos concelhos de Porto de Mós e Batalha, actualmente o número reduziu para 38. No concelho são 37 produtores, a grande maioria da freguesia de S. Bento.
A notícia desta semana dá conta que, no total, o executivo comunitário aprovou 13 programas destinados a encorajar o consumo de leite e produtos lácteos em 11 Estados-membros da UE, a serem desenvolvidos ao longo de três anos, com um orçamento total de 35,8 milhões de euros.