Entrada seta O Portomosense seta Actualidade seta "Não sou o super-homem, mas acredito na minha capacidade de trabalho"
"Não sou o super-homem, mas acredito na minha capacidade de trabalho" PDF Print E-mail
Written by Patrícia C. Santos   
Quinta, 12 Novembro 2009
Entrevista | João Salgueiro

ImageJoão Salgueiro parte para o segundo mandato à frente da Câmara Municipal de Porto de Mós. Um mandato que, assume, será o último e para cumprir até ao fim. O recém-eleito presidente da autarquia revela os projectos e ideias para os próximos quatro anos.

Com que expectativas parte para este mandato?
João Salgueiro: O primeiro objectivo é dar continuidade às grandes obras que estão em curso, algumas já em fase de execução. Naturalmente, vamos acompanhar de perto a evolução do QREN. Temos grandes expectativas, porque vai ter grande influência neste mandato. A partir de 2010 vai haver dinheiro que permitirá avançar com obras, que só são possíveis com estas verbas. Por exemplo, a requalificação da Central Termoeléctrica ou a rede de saneamento básico.

E quais os seus grandes compromissos para estes quatro anos?

JS: Os meus compromissos são públicos. Temos o grande desafio de requalificar a rede de águas e temos zonas críticas, como é o caso do Alqueidão da Serra. Uma obra que esperamos que tenha execução física em 2010. O saneamento é uma luta grande que teremos no concelho, porque, de acordo com a lei, em 2015 temos que ter entre 80 e 85 por cento de saneamento, o que implica um grande esforço. Algumas obras que não são da nossa responsabilidade, mas que queremos acompanhar de perto, como é o caso do IC9, que vai ter início em 2010. Depois outras obras importantes, como são os casos da Central Termoeléctrica, a Ecopista, conclusão da Casa da Cultura de Mira de Aire e avançar com obras no Juncal, nomeadamente a Casa dos Calados, que vai ser um grande desafio no mandato.

A Casa dos Calados é um compromisso para este mandato?
JS: Estas obras são compromissos para este mandato e temos de avançar com elas. Para a Casa dos Calados vamos fazer um projecto global, não apenas para o edifício, mas para todo o espaço envolvente. Não é possível fazer a obra de uma vez, mas, de uma forma faseada, vamos começar a mexer naquele espaço.

Um projecto de recuperação que chegou a ser apresentado, há alguns anos…
JS: Nunca houve projecto. Foi falado um concurso de ideias, mas que nunca passou do papel. Não há rigorosamente nada para a Casa dos Calados, em termos de estudos.

O pavilhão multiusos, que chegou a ser bandeira eleitoral, está definitivamente, de fora das prioridades?
JS: O projecto mudou de nome, porque como pavilhão multiusos não há apoio financeiro. Se optarmos por apresentar um projecto para um centro de actividades empresariais conseguimos verbas. Estamos a falar quase do mesmo. No entanto, devido à conjuntura actual, vamos dar prioridade à terceira fase da zona industrial, uma obra que está em concurso e para a qual temos que canalizar avultadas verbas. Com empresas à espera de lotes, e outras que espero que venham porque IC9 vai valorizar muito a zona industrial, seria uma asneira, deste ou doutro executivo, optar por fazer pavilhões, sabendo que há empresas a quererem instalar-se em Porto de Mós.

Estas eleições reforçaram a maioria do executivo, deram maioria ao PS na Assembleia Municipal. O que podem esperar as várias oposições deste mandato?
JS: A grande lição desta votação tem que ver com o aumento da responsabilidade. Se as pessoas acreditaram em nós, e no nosso projecto, temos responsabilidades acrescidas. Não queremos defraudar o eleitorado.
A nível da oposição, já disse às juntas freguesia que não há juntas da oposição. Há 13 juntas, que devem ser tratadas de igual modo. Quase todos os dias dialogo com os presidentes, independentemente desta ou daquela cor. No último mandato tentei fazer isso, tenho queixas de uma junta, onde senti sempre uma oposição por parte do presidente, que nunca dialogou, nem veio à Câmara falar comigo. Penso que isso não vai voltar a acontecer, tendo em conta os presidentes eleitos.

Mesmo na vereação ou na Assembleia Municipal, chegou a ser acusado de falta de diálogo. Acredita que as críticas poderão surgir novamente?

JS: Penso que não. Se me acusaram disso, penso que não há razão. Dialoguei com todos. Na Assembleia ocorreram algumas situações que lamento, mas não fui, apenas, eu o responsável.

Neste novo executivo passamos a ter três vereadores a tempo inteiro, mais um a meio tempo. Não teme que possa ser acusado de algum excesso nesta opção?
JS: Não. Se formos ver a maioria das câmaras, existem assessores, chefes de gabinete, motoristas… Eu não tenho ninguém, o meu secretariado é feito por uma funcionária da câmara. Se sou eu sozinho, tenho de ter alguém que me ajude. Nesse sentido escolhi pessoas da minha confiança: os vereadores. Deleguei competências e vou exigir deles o cumprimento dessas competências.

Sempre que há eleições fala-se da possibilidade de aparecerem assessores e elementos para o gabinete de apoio à presidência. Não vai ter nenhum assessor?

JS: Não tenho previsto ninguém para assessor. Poderei encarar a hipótese de meter alguém a coordenar o serviço de obras no exterior. Sinto essa falha na câmara. Fiz esse trabalho, de certo modo, no último mandato. Todos os dias estou com o pessoal, mas efectivamente não tenho tempo para acompanhar as diversas equipas durante o dia, Vejo que há necessidade de ter alguém, não para obrigar a trabalhar, mas para coordenar o trabalho de mais de 100 pessoas que andam na rua diariamente. Apesar de ser uma necessidade que sinto, não quer dizer que venha a acontecer.

Com a distribuição de pelouros, vai acumular toda a parte de obras, com outras áreas, além das responsabilidades normais de um presidente. Não representa uma grande sobrecarga?
JS: Compreendo que tenha essa sobrecarga, mas vou delegar questões a funcionários da câmara. Nas obras particulares temos bons técnicos da minha confiança, a quem vou delegar tarefas. Não seria possível acumular todas estas funções. Não sou o super-homem para fazer isso, mas acredito na minha capacidade de trabalho.
Além disso, tenho noção que vou ter responsabilidades a outros níveis, por exemplo ao nível da Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral, o que me vai ocupar tempo.
São tarefas que um presidente de câmara não pode separar-se, porque daí advêm conhecimentos e algumas portas que se abrem. O presidente tem de ser “bichinho fura-mato” e bater às portas. Se estivermos à espera no gabinete que venham oferecer obras, ninguém vem cá.

 
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