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O JOSÉ MANUEL MORREU NO ZAMBEZE PDF Print E-mail
Written by J. Conteiro   
Quinta, 02 Abril 2009
                        
Decorria ano de 1969 mundialmente recordado pelo festival de música de Woodstock. Em Fevereiro a PIDE tinha assassinado o presidente da FRELIMO Eduardo Mondlane, com uma carta armadilhada entregue em Dar-es-Salaam. Meses antes ele escrevia à sua família, dizendo estar sentado num café da AV. da Liberdade em Lisboa e que esta artéria, paradoxalmente, ía dar à penitenciária.
O general Kaúlza de Arriaga (que em 1961 tinha sido o denunciante de seus camaradas junto de Salazar, o que teve como consequência a rejeição da solução`Botelho Moniz` e a opção da guerra) em 1969 é o responsável militar terrestre em Moçambique onde faz aplicar a táctica ´Search and destroy` (procurar e destruir) utilizada sem sucesso na Indochina, Argélia e Vietname. Em 1970 ficou célebre a sua fracassada operação `Nó Górdio`ao planalto dos Macondes à qual um dos seus operacionais chamou em livro `Nó Cego` e um outro comparou-a ao arremesso duma pedra para um vespeiro.
Se aqui faço referência a uma certa bravura balofa e fanfarrona, infelizmente muito vulgar em todas as épocas e em todas as latitudes, é só para realçar a facilidade com que alguns dos seus agentes alijam responsabilidades quando as coisas não correm bem.
É que, a 21 de Junho desse mesmo ano de 1969, o batelão que fazia a travessia no rio Zambeze de Chupanga para Mopeia com ceca de 150 militares a bordo (quase todos praças ) e vinte e duas viaturas, além de muito outro material, virou-se e morreram 103. Foi o maior desdastre em custo de vidas humanas de toda a história da guerra colonial, mas nem por isso se sabe muito acerca das circunstâncias em que ocorreu, nomeadamente porque é que só ía um oficial subalterno a bordo, de baixa patente, e era miliciano assim como os graduados seus subordinados. As informações são muito escassas, sabe-se lá porquê! Nesse acidente morreu o nosso conterrâneo José Manuel da Silva Franco, soldado nº 02180467 da companhia de artilharia nº 2387, mobilizado pelo RAL3, e natural de S. Jorge. Era seu comandante o capitão de artilharia João Luís da Cunha Tavares da Silva mas este não ía a bordo. Da lista de sobreviventes faz parte João Manuel Alves Meireles morador na Quinta do Bispo – Leiria, aqui mencionado apenas porque é o vizinho mais próximo de entre os referenciados. Alguns corpos não foram recuperados e terão sido devorados por crocodilos e outras espécies locais. Apesar de tudo, o corpo do nosso malogrado conterrâneo terá sido recolhido pelo navio Mezinga da `Sena Sugar Estates`, nas buscas coordenadas pelo capitão do porto Fernando Manuel Loureiro de Sousa. Jaz no cemitério de S. Jorge, campa nº 29.


J. Conteiro
 
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