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Saiu dois anos depois do previsto mas recebeu o aplauso unânime de todos aqueles que assistiram à sua apresentação pública ou que tiveram o privilégio de o consultar ainda enquanto manuscrito.
"Os coretos do Distrito de Leiria", livro da autoria do investigador bombarralense Delmar Domingos de Carvalho (que contou com a colaboração do antropólogo Carlos Maximiano Baptista) foi, de facto, recebido com entusiasmo por todos aqueles que se interessam pela Cultura e História populares, considerando que era "uma obra que já fazia falta"
O livro editado pela Delegação de Leiria do Inatel e que faz referência a mais de meia centena de coretos cobertos do Distrito foi apresentado no passado dia 30 de Junho, na sede daquele organismo, perante grande número de convidados.
Em conversa com O Portomosense, Delmar Carvalho explicou-nos que esta obra é fruto de um trabalho de investigação já com muitos anos. "Um dia parei em Évora e fiquei encantado com a beleza do seu coreto e comecei a pensar no verdadeiro valor daquele tipo de construção não só em termos arquitectónicos mas também a nível cultural. Daí surgiu uma paixão e um desejo por saber mais sobre o assunto, que me acompanha até hoje e já me fez percorrer o país de norte a sul", conta.
"Há dois anos fui desafiado pela Associação de Municípios do Oeste para fazer uma monografia sobre esta temática. Entretanto, o Delegado do Inatel de Leiria, senhor Reinaldo Gomes, teve conhecimento desse trabalho, gostou e propôs-me que fizesse antes sobre os coretos do distrito de Leiria mostrando interesse em publicá-lo. Apesar da tarefa ser mais complicada, aceitei e tive a excelente colaboração de Carlos Baptista", refere.
Faltam registos escritos sobre os coretos
"Infelizmente como há muito poucos registos escritos foi necessário consultar várias fontes e recorrer aos testemunhos orais mas sempre com a preocupação de os comparar e aproveitar, apenas, os que nos pareciam credíveis", diz.
Delmar Carvalho sublinha que se "tentou fazer um levantamento o mais exaustivo possível", no entanto, reconhece que, por "lapso motivado por falta de informação terá ficado algum de fora". "Já depois da obra publicada tive conhecimento da existência de um coreto num concelho do norte do distrito e no capítulo dedicado às filarmónicas refiro a banda do Louriçal como a mais antiga do distrito e afinal, será a Banda Recreativa Portomosense. É por isso que seria bom, mais tarde aparecer uma segunda edição com elementos novos e com estes lapsos, já corrigidos", acrescenta.
Coreto de Mira de Aire é dos mais bonitos
O coreto de Mira de Aire é para o autor do livro, um dos mais bonitos do distrito, "apesar de já necessitar de alguma conservação". A título de exemplo, aponta "outros de rara beleza não só pelas suas linhas arquitectónicas, mas também pela decoração em ferro forjado, azulejos ou outros elementos estéticos, como são os casos dos de Santa Catarina da Serra (Leiria), S. Jesus do Carvalhal (Bombarral) ou do Sítio, na Nazaré".
Numa altura em que os coretos já quase não são usados pelas bandas filarmónicas, Delmar Carvalho, mesmo assim defende a sua preservação ou ampliação e refere com alegria que há uma dinâmica de construção de novos.
No prefácio desta obra, o maestro António Vitorino de Almeida considera que "a existência de coretos e de toda a sua simbologia como lugar de congregação popular não deveria prender-se exclusivamente à musica das bandas mas por um projecto de dinamização desses locais, no sentido de também aí se realizarem concertos com outros repertórios mormente de música de câmara" e Delmar Carvalho, concorda. O prestigiado maestro e o autor do livro voltam a estar de acordo quando criticam a crescente desumanização das nossas aldeias, vilas e cidades, e apontam a área em volta dos coretos como espaços privilegiados de convívio, que merecem ser recuperados e repensados.
Durante a cerimónia de apresentação da obra, o representante da estrutura central do Inatel , desafiou o Delegado distrital Reinaldo Gomes "a prosseguir o seu bom trabalho nesta área" e a promover, precisamente, "espectáculos ou outros eventos nalguns coretos do distrito ou na sua zona envolvente", dando assim o Inatel mais "um contributo para a Cultura, a humanização dos espaços urbanos e a ocupação sadia dos tempos livres dos cidadãos"
Além do de Mira de Aire, o concelho de Porto de Mós é representado neste livro, pelos coretos da Corredoura, Juncal, Pedreiras, Bezerra, e também pelo do Andam que surge como tendo sido transformado em quermesse.
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